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Daily Prophet

Brasão do Daily Prophet
Crônica das artes de mesa — mecânicas, protótipos e curiosidades afins

Vol. XXVI — Nº 1Segunda-feira, 14 de setembro de 2026Preço: Três Pence
Mercado & MateriaisVol. XXVI — Página IIIPreço: Três Pence

Mercado & Materiais

O PREÇO DO CARTÃO E O QUE ELE ENSINA

Índice de raridade recua pelo quarto mês; a reimpressão dos protótipos e a queda do filamento explicam o tombo — e recolocam uma questão antiga sobre o valor do componente

Levantamento desta folha sobre o custo dos materiais de bancada, com a tabela de preços praticados e uma advertência ao aprendiz apressado.

Recuou pelo quarto mês seguido o índice de raridade das cartas, arrastado por dois movimentos que pouco têm em comum: de um lado, a reimpressão franca dos protótipos, que jogou na praça exemplares antes tidos por escassos; de outro, a queda do filamento, que barateou o marcador impresso e retirou da carta parte da função que ela acumulava.

O efeito imediato é o alívio de quem prototipa. Um baralho de prova, que há um ano exigia parcimônia, hoje se corta e se recorta sem cerimônia — e a bancada agradece, pois a parcimônia é inimiga declarada da quinta versão.

O efeito mediato é menos simpático e merece registro: barateado o componente, cresce a tentação de resolver por acúmulo o que deveria resolver-se por desenho. Vê-se protótipo com noventa peças onde trinta bastariam, e o excesso não é generosidade — é indecisão materializada em papelão.

Fig. III — Amostras de gramatura dispostas em escada, do cartão de prova ao linho de 330g, com o corte de canto à direita.Gravura da casa, sobre amostras cedidas

O excesso de componentes não é generosidade: é indecisão materializada em papelão.

A tabela e suas armadilhas

Publicamos ao lado os preços correntes, apurados junto às casas da praça. Duas advertências acompanham a tabela.

A primeira: o preço por unidade engana em tiragem curta, onde a preparação pesa mais que o material. Cem cartas custam quase o mesmo que trezentas, e o aprendiz que economiza cortando a tiragem costuma pagar mais caro por carta.

A segunda: o linho custa mais que o liso e vale a diferença apenas quando o baralho é manuseado à exaustão. Em protótipo, o liso basta — e o linho ali é vaidade prematura.

Do que não baixou de preço

Não baixou, nem há de baixar, o custo do tempo de mesa. Continua sendo o insumo mais caro desta oficina e o único que não se compra por metro: exige gente sentada, disposta e paciente, em hora que a todos convenha.

É por isso que esta folha insiste em pagar seus playtesters — em pizza e em crédito na caixa, conforme anúncio publicado à página anterior. Quem trata o tempo alheio como gratuito acaba sem mesa.

— A Redação